segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma casa de estrelas

Retomar a desterro foi desterrar um pouco mais. Foi deixar o que precisava ser deixado. Foi transmutar dor em saudade boa, foi polir os olhos pra ver beleza de novo no que é dito. A inquietação sempre esteve presente, nosso discurso passa pelos mesmos conflitos, novos conflitos começaram a fazer parte e assim é que se reanima um processo. A estrada bota sentido em todos nós. E é na estrada que entendemos a necessidade de dizer.
 A casa...
 A casa agora nos permite ver as estrelas, e acho que não podia ter sido melhor a escolha, queremos expandir e crescer pra além das paredes, do telhado, ganhamos o mundo, abraçamos as estrelas.
 A lua agora é nossa parceira e ajuda na iluminação de nossas cenas. Somos parte do cosmos.
 Nas pequenas rachaduras, nas paredes que sobram, não vemos tijolos, vemos conchinhas...parece que a poesia foi morar com a gente na nossa casa de estrela. Nas bordas das paredes enegrecidas pelo tempo crescem flores, as que racham concreto, aqui não só resistem, mas ocupam como rainhas, majestosas, a paisagem. Uma casa que está em perfeita conjunção conosco. Que loucura esses tesouros que a gente encontra.
 Alguém na rua perguntou: Mas não derrubaram isso ainda?
 Minha resposta é que não, e nem vão. Os tesouros perduram. No caso, ela ocupa e resiste. E mesmo que venha a desaparecer nesse tempo. Marcou qualquer cantinho da memória das pessoas que estiveram conosco. Marcou uma cidade cujo som é uma mistura de domingo, missa, e os pássaros (que cantam alto e ás vezes sobrepõem o som de marasmo que sai dos alto-falantes da igreja).
 Deus, se Ele está, com certeza prefere o canto das suas criaturas, ao chiado estridente de algumas palavras mortas.
 Deixamos um pedacinho de nós em mais um encontro: Com pessoas boas e gentis, com gente emocionada, com quem precisasse comunicar ou ouvir o que nós tínhamos a dizer. Levamos saudade de tudo, o desejo de voltar, maiores e melhores, religar.
 Levamos um beijo do mar.

  Por Fernanda Brito. Imagem de Paulo Henrique Zioli

2 comentários:

  1. Tê-los aqui foi um presente, presente gostoso de abrir. Noite sublime, nem a lua perdeu. Obrigado!

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